A Reforma Tributária aprovada trouxe um mar de incertezas para os pequenos e médios empresários brasileiros. A maior dúvida que paira no ar é sobre a sobrevivência e a competitividade do Simples Nacional.
Durante a tramitação da lei, muito se falou que o Simples “acabaria” ou perderia sua essência simplificada. Felizmente, o regime diferenciado foi mantido na Constituição, garantindo tratamento favorecido para as microempresas (MEs) e as empresas de pequeno porte (EPPs).
Porém, as regras de interação com as grandes empresas mudaram drasticamente, especialmente no quesito créditos. Agora, quem está no Simples precisa entender de IBS e CBS para não perder contratos importantes.
O mercado B2B (empresa para empresa) vai exigir uma nova postura comercial e fiscal dos fornecedores. Se você vende para outras empresas, a leitura deste artigo é obrigatória para sua sobrevivência.
Vamos desvendar como a transferência de créditos vai funcionar na prática a partir de agora. Confira a seguir!
O mito do fim do Simples Nacional
Primeiro, precisamos derrubar o mito de que a Reforma Tributária extinguiu o Simples Nacional. O regime continua firme e forte, com sua guia única de recolhimento (DAS) facilitando a vida.
Para quem vende direto para o consumidor final (B2C), pouca coisa muda na prática do dia a dia. A carga tributária e a burocracia continuam muito parecidas com o que temos hoje.
O governo entendeu que burocratizar a vida do pequeno empresário seria um tiro no pé da economia. Portanto, se você tem uma loja de roupas, um pet shop ou uma padaria, pode respirar aliviado.
As mudanças mais agressivas foram focadas na indústria e nas grandes cadeias de produção e serviços. No entanto, a “blindagem” do Simples não significa que você deva ignorar o que acontece no mercado.
As alíquotas dos outros regimes vão mudar, e isso pode afetar seus custos com fornecedores.
Mantenha-se informado através de fontes oficiais como o Portal do Simples Nacional.
A grande mudança: transferência de créditos (IBS e CBS)
Aqui reside o coração da mudança para quem atua no mercado B2B vendendo produtos ou serviços. No sistema antigo, o crédito de PIS/Cofins e ICMS que o Simples gerava era complexo e limitado.
Muitas grandes empresas preferiam não comprar de optantes do Simples por causa da dificuldade de abater impostos. Com a Reforma e a criação do IVA Dual (IBS e CBS), a regra de crédito ficou mais clara.
A empresa do Simples poderá transferir créditos para seu cliente, mas em um montante limitado. O crédito será equivalente apenas ao valor que o optante do Simples efetivamente pagou na guia única.
Seu cliente poderá abater menos imposto comprando de você do que comprando de uma grande empresa. Isso pode gerar uma pressão comercial para que você conceda descontos e compense essa diferença tributária.
É uma matemática que vai exigir muita negociação e clareza na formação do seu preço de venda.
Para entender a lei na íntegra, consulte a Emenda Constitucional 132.
O dilema: cobrar “por fora” ou integrar ao IVA?
A Reforma trouxe uma opção facultativa interessante para as empresas do Simples Nacional. Você poderá optar por recolher o IBS e a CBS “por fora” do Simples, como uma empresa normal.
Nesse caso, você pagaria esses impostos com alíquota cheia, gerando crédito cheio para seu cliente. Essa opção visa igualar a competitividade do pequeno com o grande na hora de disputar contratos.
Porém, isso aumenta sua carga tributária e a complexidade da sua gestão contábil mensal. Você terá que avaliar se o aumento do custo fiscal compensa a manutenção do cliente na carteira.
Em muitos casos, pagar mais imposto para não perder um contrato milionário pode valer a pena. Mas essa decisão não pode ser tomada no “achismo”; ela exige simulação de cenários reais.
A contabilidade terá o papel de consultora estratégica para definir qual regime é mais vantajoso. Não tome essa decisão sem antes rodar uma simulação completa com seus dados de faturamento.
Pressão das grandes empresas e compliance
O mercado não espera a lei “pegar”; ele se antecipa e dita as novas regras do jogo. Grandes compradores já estão revisando suas cadeias de suprimentos e pressionando fornecedores menores.
Eles querem garantir que terão o máximo de eficiência tributária em suas compras de insumos e serviços. Se sua empresa não souber explicar quanto de crédito ela gera, você ficará para trás na concorrência.
É provável que vejamos cláusulas contratuais exigindo transparência fiscal dos prestadores de serviço do Simples. A organização contábil passa a ser um diferencial competitivo, e não apenas uma obrigação legal.
Ter um contador que converse com o departamento fiscal do seu cliente será um grande trunfo. Isso demonstra profissionalismo e segurança, atributos valorizados por corporações em tempos de mudança.
Prepare sua equipe comercial para responder perguntas técnicas sobre tributação durante as negociações. A venda técnica agora inclui argumentos fiscais que podem decidir o fechamento do negócio.
Veja mais sobre compliance tributário no site do Sebrae.
Quando migrar para o Lucro Presumido ou Lucro Real?
A Reforma Tributária pode tornar o Simples Nacional desinteressante para algumas faixas de faturamento. Empresas que estão no teto do Simples e vendem B2B podem achar o Lucro Real mais atrativo.
No Lucro Real, o crédito é pleno (sistema não cumulativo), o que agrada muito os grandes clientes. Além disso, com a unificação de impostos, a complexidade do Lucro Real tende a diminuir levemente.
O ano de 2026 será decisivo para fazer essa análise de migração de regime tributário. Ficar no Simples apenas por inércia ou medo de mudança pode ser um erro estratégico fatal.
É preciso colocar na ponta do lápis o custo administrativo versus a economia tributária e comercial. Muitas vezes, sair do Simples abre portas para clientes maiores que antes ignoravam sua empresa.
Essa é uma decisão que deve ser planejada com meses de antecedência, antes da virada do ano.
A Copiloto ajuda você na transição
Navegar pelas águas da Reforma Tributária sem um mapa confiável é extremamente perigoso. As regras são novas, os cálculos são complexos, e o impacto no seu caixa é imediato.
Na Copiloto Contabilidade, nós já estamos estudando os impactos da Reforma desde o projeto de lei. Temos simuladores prontos para comparar o cenário do Simples atual com as novas regras de crédito.
Podemos ajudar sua empresa a decidir se mantém o Simples padrão ou se opta pelo recolhimento separado. Nosso time fala a língua do seu negócio e traduz o “contabilês” para estratégias de lucro.
Não espere seu cliente reclamar da falta de crédito para buscar uma solução contábil.
Antecipe-se e chegue na negociação mostrando que você é um parceiro atualizado e competitivo.
Se você quer blindar sua empresa e garantir sua fatia de mercado em 2026, conte conosco.
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